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Gestão Operacional e Financeira

Gestão de Pneus de Frota: Do Número de Fogo à Medição de Sulco e Recapagem

O passo a passo para acompanhar a vida útil dos pneus e calcular o custo por quilômetro (CPK) com dados rastreáveis.

TL;DR: Gerencie cada pneu como um ativo: identificação própria, posição, veículo, quilometragem, pressão, sulco, reparos, recapagens e destino. A decisão de retirar ou reformar deve considerar segurança, critérios técnicos do reformador e histórico da carcaça, nunca apenas uma regra genérica.
SF

Equipe SuaFrota.com

Produto e conteúdo sobre gestão operacional de frotas

Atualizado em 2026-09-30
6 min de leitura

Sobre a autoria: Conteúdo produzido a partir dos fluxos de cadastro, manutenção, abastecimento, custos e auditoria desenvolvidos pela equipe do SuaFrota.com. Informações regulatórias são conferidas em fontes públicas oficiais.

Conteúdo editorial revisado em 2026-09-30. As recomendações devem ser adaptadas à realidade e às normas da sua operação.

Revisão editorial: conteúdo baseado em processos operacionais de frota e conferido com as fontes públicas indicadas. Exemplos são educativos e devem ser adaptados à realidade de cada empresa.

Um pneu de caminhão novo pode custar mais de R$ 2.500,00. Quando bem gerido e recapado no momento exato (com duas a três vidas adicionais), o custo por km rodado pode ser reduzido pela metade. Porém, sem controle unitário, é comum pneus serem descartados antes da hora ou desviados da oficina sem que a gerência perceba.

Definição: Gestão de pneus é o controle individual do ciclo de vida de cada unidade, desde o recebimento até recapagem, descarte ou baixa.

1. O que é o Número de Fogo e por que ele é Obrigatório

O número de fogo é a marcação indelével a quente gravada na carcaça do pneu assim que ele entra no estoque da empresa. Ele funciona como o "CPF" ou RG do pneu, permitindo rastrear toda a sua trajetória: posição em que rodou (direcional, tração ou truck), histórico de consertos, número de recapagens e veículo atual.

Pontos Práticos para Implementar:

  • Nunca confie apenas no número de série de fábrica do fabricante: padronize a numeração sequencial própria da sua empresa.
  • Associe o número de fogo ao veículo, eixo e posição (dianteiro esquerdo, tração externa direita, etc.).
  • Histórico de movimentações: ao enviar para recapagem ou conserto, a baixa e o retorno devem ser amarrados ao mesmo código.

2. Medição Milimétrica do Sulco: O Ponto Exato da Recapagem

A legislação brasileira (Contran) estabelece o limite mínimo de segurança de 1,6 mm de profundidade de sulco (indicador TWI). Contudo, para frotas comerciais que visam a recapagem, retirar o pneu com 2,5 mm a 3,0 mm de sulco é vital. Se o pneu rodar até atingir a lona ou o aço da carcaça, ele perde a possibilidade de recapagem e se torna sucata.

No SuaFrota.com, você cadastra o sulco atual em milímetros e o sistema avisa proativamente quando o pneu atinge a faixa de retirada para reforma.

3. A Fórmula do Custo por Quilômetro (CPK) do Pneu

Para saber qual marca e modelo realmente entregam o melhor retorno sobre o investimento, o gestor não deve olhar apenas o preço de compra da borracha. O indicador soberano é o CPK: Custo Total (Compra + Recapagens + Reparos) dividido pela Quilometragem Total Rodada.

Pontos Práticos para Implementar:

  • CPK = (Preço de Compra + Custos de Recapagem + Reparos) / Km Rodado.
  • Compare marcas pelo CPK observado em aplicações equivalentes, incluindo aproveitamento da carcaça e histórico de reparos.
  • Evite rodar com pneus de diâmetros diferentes no mesmo rodado duplo para evitar desgaste irregular prematuro.

4. O inventário físico que revela diferenças no cadastro

Escolha um dia de menor movimento e confira pátio, estoque, veículos, oficina e unidades enviadas a terceiros. Para cada pneu, registre identificação, marca, modelo, medida, DOT, condição, posição e local atual. Fotografe divergências antes de corrigir o sistema. O inventário não serve para procurar culpados; ele cria uma linha de base confiável. Depois, toda montagem, desmontagem, rodízio, reparo e envio para reforma precisa gerar uma movimentação com data e responsável. Sem essa disciplina, o CPK pode parecer preciso enquanto soma quilômetros e custos de unidades diferentes.

Pontos Práticos para Implementar:

  • Nunca reutilize a identificação de uma carcaça baixada.
  • Registre pneus em estoque e em poder de terceiros.
  • Trate posição e veículo como histórico, não como campos fixos.
  • Concilie movimentações com ordens de serviço e notas.

5. Sulco, pressão e inspeção precisam contar a mesma história

A medição de sulco ganha valor quando informa ponto, instrumento, data e responsável. Leituras muito diferentes no mesmo eixo podem indicar alinhamento, suspensão, pressão inadequada ou carga mal distribuída. A inspeção visual deve observar cortes, bolhas, objetos, exposição de estrutura e desgaste irregular. Para limites legais e critérios de reforma, consulte a regulamentação vigente e a avaliação técnica do fornecedor. O sistema registra evidências e tendências, mas não substitui a decisão de um profissional habilitado diante de um pneu danificado.

Evite declarar uma faixa universal de retirada para recapagem. Aplicação, desenho, fabricante, condição da carcaça e processo do reformador alteram a decisão.

6. Como calcular CPK sem esconder perdas

Some aquisição, reformas e reparos atribuídos à unidade e divida pelos quilômetros efetivamente percorridos durante suas vidas. Registre também o motivo da baixa. Um pneu perdido por avaria, extravio ou descarte precoce precisa permanecer no histórico; removê-lo melhora artificialmente a média. Compare medidas e aplicações equivalentes, observando segurança, disponibilidade e taxa de aproveitamento das carcaças junto com o custo.

Pontos Práticos para Implementar:

  • CPK da unidade e CPK médio por modelo e aplicação.
  • Quilometragem até cada retirada.
  • Percentual de carcaças aprovadas para reforma.
  • Baixas por desgaste normal, avaria, acidente ou extravio.

Conclusão

Transformar o estoque de pneus em um ativo auditável com número de fogo e acompanhamento de sulco estanca vazamentos financeiros imediatos e garante conformidade com a segurança viária.

Perguntas frequentes

Número de fogo é o mesmo que número de série?

Não necessariamente. Muitas frotas adotam uma identificação interna permanente para rastrear o ativo, preservando também os dados originais do fabricante.

Qual sulco usar para retirar o pneu?

Respeite a legislação vigente, a segurança da aplicação e os critérios técnicos do fabricante e do reformador. Não use uma única faixa para todos os casos.

O que entra no CPK do pneu?

Compra, reformas, reparos e demais custos diretamente atribuíveis, divididos pelos quilômetros registrados durante o ciclo acompanhado.

Como controlar pneus enviados para recapagem?

Faça uma movimentação para o terceiro, registre data e documento e confira o retorno usando a mesma identificação da carcaça.

Por que registrar a posição no veículo?

Porque desgaste e risco variam por eixo e aplicação. O histórico de posição ajuda a explicar diferenças e planejar rodízios.

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